domingo, 1 de fevereiro de 2026
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HP anuncia corte de até 6 mil empregos até 2028 em aposta na Inteligência Artificial

Reestruturação global deve gerar economia de US$ 1 bilhão por ano enquanto empresa acelera automação de processos

A HP Inc. revelou um plano de reestruturação que prevê a eliminação de 4 mil a 6 mil postos de trabalho em todo o mundo até o final do ano fiscal de 2028. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla para simplificar operações, reduzir custos e acelerar a adoção de inteligência artificial em diversos setores da companhia.

O CEO da HP, Enrique Lores, informou durante teleconferência com jornalistas que os cortes afetarão principalmente três áreas: equipes de desenvolvimento de produtos, operações internas e suporte ao cliente. “Esperamos que essa iniciativa gere uma economia bruta de US$ 1 bilhão anualmente ao longo de três anos”, declarou o executivo.

A HP emprega atualmente cerca de 58 mil funcionários globalmente, o que significa que os cortes podem representar aproximadamente 10% da força de trabalho total da empresa. Este não é o primeiro movimento de redução de pessoal da companhia em 2025: em fevereiro, a HP já havia demitido entre 1 mil e 2 mil colaboradores como parte de um plano de reestruturação previamente anunciado.

A justificativa oficial da empresa está centrada na necessidade de incorporar inteligência artificial para impulsionar inovação, aumentar a satisfação dos clientes e melhorar a produtividade. Segundo Lores, há dois anos a HP iniciou programas-piloto para avaliar como a IA poderia ajudar a empresa nesses parâmetros, e agora está pronta para implementar as mudanças em escala.

O momento do anúncio coincide com resultados financeiros mistos. A empresa projetou lucro ajustado por ação para o ano fiscal de 2026 entre US$ 2,90 e US$ 3,20, abaixo da estimativa média dos analistas de US$ 3,33. A HP também alertou sobre o impacto de custos mais elevados de chips de memória, impulsionados pela forte demanda dos data centers de IA e pela concorrência no mercado de servidores.

Por outro lado, a demanda por computadores equipados com inteligência artificial continua em trajetória ascendente. No quarto trimestre fiscal encerrado em 31 de outubro, mais de 30% das remessas da HP corresponderam a dispositivos preparados para IA, sinalizando uma transformação gradual do portfólio da empresa em direção a produtos com maior capacidade de processamento inteligente.

A HP se junta a uma tendência mais ampla do setor tecnológico. Em 2025, gigantes como Amazon, Microsoft e Google também anunciaram cortes significativos de pessoal enquanto redirecionam recursos para projetos relacionados à inteligência artificial. A Amazon planeja eliminar até 30 mil posições, a Microsoft despediu cerca de 6 mil funcionários (3% do quadro), e o Google realizou várias rodadas de demissões que eliminaram mais de 100 funções.

Especialistas apontam que a automação por IA está impactando fundamentalmente funções em atendimento ao cliente, moderação de conteúdo, entrada de dados e tarefas específicas de programação. Segundo dados citados pela CNN, o setor tecnológico já registrou mais de 100 mil despedimentos em 2025, consolidando o ano como um dos mais desafiadores para profissionais da área.

Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) realizado em outubro revelou que a inteligência artificial tem potencial para substituir 11,7% da força de trabalho nos Estados Unidos, representando aproximadamente US$ 1,2 trilhão em valor salarial nos setores financeiro, de saúde e de serviços profissionais. No entanto, os pesquisadores ressaltam que “o impacto real na força de trabalho depende das estratégias de adoção das empresas, da adaptação dos trabalhadores, das decisões regulatórias, da aceitação social e das condições econômicas gerais.”

A HP estima que os custos iniciais da reestruturação totalizarão US$ 650 milhões, com US$ 250 milhões previstos para serem gastos já no ano fiscal de 2026. A empresa aposta que os benefícios de longo prazo da automação e simplificação operacional superarão os custos de transição, posicionando-a de forma mais competitiva em um mercado cada vez mais dominado por soluções baseadas em inteligência artificial.

Fonte: Reuters

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