No início de março de 2026, enquanto os Estados Unidos e Israel conduziam operações militares contra o Irã, uma série de ataques cibernéticos atingiu simultaneamente plataformas digitais iranianas. Especialistas e empresas de monitoramento apontaram o caráter coordenado das ações, que foram além de simples invasões técnicas.
Entre os incidentes mais expressivos, sites de notícias iranianos foram comprometidos e passaram a exibir conteúdos não autorizados, enquanto o aplicativo de calendário religioso BadeSaba, com mais de 5 milhões de downloads, teve seus usuários expostos a mensagens políticas, com apelos para que militares abandonassem suas funções.
Segundo o pesquisador de segurança Hamid Kashfi, fundador da DarkCell, a escolha do aplicativo não foi aleatória: a ferramenta é amplamente utilizada por apoiadores do governo iraniano, em sua maioria conservadores e religiosos, o que confere à ação um evidente objetivo de impacto psicológico e político.
A conectividade do país também foi afetada. Dados do diretor de análise de internet da Kentik apontaram quedas acentuadas no tráfego online iraniano, chegando a níveis mínimos de conexão.
No campo das previsões, especialistas alertam para uma provável escalada. Rafe Pilling, da Sophos, avalia que grupos aliados ao Irã ou hacktivistas devem intensificar ações contra alvos israelenses e norte-americanos, valendo-se desde a reutilização de dados vazados até tentativas de invasão a sistemas industriais conectados à internet.
Cynthia Kaiser, ex-integrante da cúpula de cibersegurança do FBI e hoje executiva da Halcyon, confirmou o aumento da atividade digital na região, com grupos pró-Irã incentivando ofensivas que incluem ransomware e ataques de negação de serviço (DDoS).
A empresa de inteligência Anomali ainda sinalizou que grupos iranianos ligados ao Estado estariam utilizando ataques do tipo wiper, projetados para apagar dados de sistemas-alvo, como parte de uma estratégia de pressão contra Israel. Para analistas, o front digital tende a ganhar cada vez mais protagonismo no conflito.



