A Samsung Heavy Industries (SHI) formalizou um acordo de engenharia com a Musterian Corporation, empresa norte-americana de desenvolvimento de infraestrutura sediada no Texas, para dar continuidade a um projeto que promete transformar a forma como a infraestrutura de inteligência artificial é construída: data centers flutuantes pré-fabricados.
O anúncio foi feito por meio de comunicado oficial da companhia sul-coreana. Segundo a SHI, a parceria estabelece a realização conjunta das etapas de engenharia básica e de produção para unidades de data center construídas especificamente para operar ancoradas em corpos d’água. Cada estrutura terá capacidade de fornecer 50 megawatts (MW) de capacidade crítica de TI, com as primeiras instalações previstas para o estado do Texas e outros mercados norte-americanos.
A iniciativa reflete um movimento crescente do setor de tecnologia em buscar alternativas para os principais gargalos da infraestrutura de IA em hiperescala: disponibilidade de terreno, acesso à energia e capacidade de refrigeração. De acordo com a SHI, as instalações flutuantes podem ser posicionadas próximas a fontes de geração de energia já existentes, além de utilizar a água ao redor como recurso natural para dissipação de calor.
A empresa destaca ainda que o projeto contempla sistemas de resfriamento líquido, tecnologia que ajuda a reduzir o consumo de água potável, já que dispensa métodos evaporativos tradicionais, e busca operar com níveis de ruído inferiores aos registrados em data centers convencionais construídos em terra.
O projeto foi apresentado publicamente pela primeira vez em junho de 2026, durante a exposição Posidonia, evento do setor marítimo. Na ocasião, a SHI já posicionava os data centers flutuantes como solução para regiões onde espaço físico, energia e água são recursos escassos.
Com a assinatura do novo contrato, a parceria avança da fase conceitual para a execução prática. Min Suh, CEO da Musterian, afirmou que o acordo representa a transição de uma etapa de intenção para uma etapa de implementação, abrindo caminho para ampliar a capacidade crítica de TI pré-fabricada destinada a operações de inteligência artificial.
A iniciativa conta também com a participação da Capital Clean Energy Carriers, empresa grega do setor, e da Lloyd’s Register, entidade internacional de classificação naval. Segundo informações do jornal sul-coreano Seoul Economic Daily, a SHI planeja iniciar a comercialização da plataforma até o segundo trimestre de 2028.
A Samsung não está isolada nessa aposta. Outras empresas do setor de transporte marítimo e energia também têm explorado o conceito de data centers flutuantes diante da crescente demanda por infraestrutura de IA.
A japonesa Mitsui OSK Lines (MOL) firmou parceria com a empresa de energia renovável Kinetics em 2025 para desenvolver o que as companhias classificaram como a primeira plataforma integrada de data center flutuante do mundo. Em abril de 2026, a MOL anunciou uma segunda parceria, com a Hitachi, para desenvolver centros de dados flutuantes a partir de embarcações convertidas, com expectativa de implantação comercial em 2027.
Na China, autoridades da Área Especial de Lin-gang, em Xangai, anunciaram a conclusão de uma instalação subaquática de 24 MW, movida por energia eólica, descrita como o primeiro data center submerso do tipo no mundo. O empreendimento teve investimento estimado em 1,6 bilhão de yuans, o equivalente a cerca de US$ 226 milhões.
Apesar do avanço das parcerias, a viabilidade comercial dos data centers flutuantes em larga escala ainda é uma questão em aberto. Ainda assim, o número crescente de acordos de engenharia no setor sinaliza que desenvolvedores de infraestrutura estão avaliando essa alternativa como resposta concreta às limitações de energia, espaço e recursos hídricos que impactam diretamente a expansão da infraestrutura necessária para sustentar sistemas de inteligência artificial em escala global.
Fonte: Data Center Knowledge



