Pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) desenvolveram uma nova arquitetura de inteligência artificial voltada à recuperação de informações em documentos normativos institucionais, como regulamentos, resoluções e portarias. O estudo, intitulado “KG-RAG: Uma Arquitetura Híbrida de Recuperação para Documentos Normativos Institucionais”, foi aprovado e será apresentado durante o Brazilian Conference on Intelligent Systems (BRACIS) 2026, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). A apresentação ocorrerá no Symposium on Knowledge Discovery, Mining and Learning (KDMiLe), evento satélite do BRACIS.
A proposta é chamada de Knowledge Graph RAG (KG-RAG) combina três elementos principais: uma ontologia institucional, uma técnica chamada Contextual Chunking e um mecanismo de decomposição de consultas. Juntos, esses componentes permitem identificar e isolar as chamadas “fronteiras administrativas”, ou seja, os limites entre diferentes normas e hierarquias documentais, antes de gerar as respostas ao usuário.
Essa abordagem busca resolver um problema comum em sistemas tradicionais de Geração Aumentada por Recuperação (RAG, na sigla em inglês): a fragmentação de contexto, que pode levar a chamadas “alucinações”, quando a inteligência artificial gera informações incorretas ou inexistentes. Isso é especialmente crítico em instituições de ensino superior, que costumam lidar com conjuntos complexos de normas organizadas de forma hierárquica.
Para testar a arquitetura, os pesquisadores utilizaram um corpus de 11.047 fragmentos de documentos extraídos do ecossistema documental da própria Ufopa. A avaliação de desempenho foi realizada por meio do framework RAGAS, comparando o KG-RAG a um modelo híbrido tradicional usado como referência.
Os resultados apontaram ganho de 30,1% na métrica de Fidelidade (Faithfulness), que mede o quanto as respostas geradas são consistentes com as informações originais, e de 35,2% na Revocação de Contexto (Context Recall), indicador relacionado à capacidade do sistema de recuperar todas as informações relevantes para responder a uma consulta.
A pesquisa se insere em um movimento mais amplo de instituições públicas e privadas que buscam soluções de inteligência artificial capazes de operar em ambientes fechados, sem depender de provedores externos, o que reduz custos e amplia o controle sobre dados sensíveis. Para o setor de tecnologia, a experiência da Ufopa reforça uma tendência: o uso de arquiteturas híbridas, que combinam grafos de conhecimento e recuperação de informação, como caminho para tornar sistemas de IA mais confiáveis em contextos que exigem alta precisão, como o jurídico, o administrativo e o regulatório.
Fonte: Ascom/Ufopa



