domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Setor de TI Paraense Enfrenta Paradoxo: Crescimento Acelerado e Escassez de Oportunidades

Profissionais relatam descompasso entre expansão tecnológica e oferta de vagas qualificadas, enquanto salários permanecem distantes da média nacional

O mercado de Tecnologia da Informação no Pará atravessa um momento paradoxal. Apesar do crescimento expressivo do setor, impulsionado pela transformação digital pós-pandemia, profissionais da área enfrentam um cenário marcado pela escassez de vagas qualificadas e remunerações que não acompanham a evolução do mercado nacional.
A contradição é evidente: enquanto a demanda por serviços tecnológicos cresce exponencialmente no estado, os profissionais encontram dificuldades para se inserir em posições condizentes com suas qualificações. A concentração de oportunidades em áreas básicas, como help desk e suporte técnico, contrasta com a necessidade crescente de especialistas em desenvolvimento, segurança da informação e outras áreas estratégicas.
“No Pará vejo que existem muitos profissionais para poucas vagas e essas vagas são geralmente na área de help desk ou técnico de computador, com salários abaixo do valor proposto pelo Sindicato”, avalia Bruno de Castro, engenheiro da computação que atua há cinco anos no mercado formal paraense com empresa própria de serviços na área.
A Covid-19 funcionou como catalisador de mudanças que já estavam em curso. O trabalho remoto tornou-se realidade obrigatória, forçando empresas de todos os portes a repensarem seus processos e investirem em infraestrutura tecnológica. Esse movimento intensificou a dependência de redes online e equipamentos eletrônicos, ampliando significativamente a demanda por profissionais de TI.
No entanto, o Pará encontra dificuldades para acompanhar essas transformações. A estrutura de formação profissional e as condições de remuneração não evoluíram na mesma velocidade que a demanda por serviços tecnológicos, criando um gargalo que prejudica tanto empresas quanto trabalhadores.
Iranildo Ramos da Encarnação, analista de sistemas e professor universitário, destaca as transformações profundas que a tecnologia tem promovido no mercado de trabalho. Segundo ele, o setor de TI não apenas cresce em si, mas também lidera processos de inovação em praticamente todas as áreas da economia.
A questão da remuneração emerge como um dos pontos mais críticos para o desenvolvimento do setor no estado. Segundo Castro, a média inicial para cargos básicos gira em torno de R$ 2 mil, valor que varia conforme empresa, setor e nível de qualificação, mas que permanece distante dos padrões praticados em outras regiões do país.
Essa discrepância salarial tem consequências diretas para o mercado paraense. Profissionais qualificados, ao não encontrarem oportunidades adequadas localmente, optam por migrar para regiões Sul e Sudeste, onde as condições de trabalho e remuneração são mais atrativas. Muitos também escolhem trabalhar remotamente para empresas de outros estados, mantendo residência no Pará mas contribuindo para economias de outras regiões.
“O contingente de profissionais que não consegue se inserir no mercado tende a migrar para outras regiões em busca das oportunidades de trabalho ou de mais qualificação, que também se concentram em maioria nas regiões Sul e Sudeste”, explica o engenheiro.
O mercado de TI está em constante evolução, exigindo atualização permanente dos profissionais. Castro ressalta que o setor se aprimora cada vez mais, demandando maior experiência e preparação dos trabalhadores. Essa exigência crescente deveria refletir-se tanto na qualidade das vagas oferecidas quanto no aumento de oportunidades disponíveis.
A formação acadêmica, embora essencial, não é suficiente para garantir inserção adequada no mercado. Certificações específicas, cursos de especialização e participação em projetos práticos tornaram-se requisitos cada vez mais valorizados por empregadores que buscam profissionais capazes de lidar com tecnologias emergentes e demandas complexas.
O cenário atual demanda ações coordenadas de múltiplos atores. Empresas precisam rever suas estratégias de remuneração e desenvolvimento de talentos, tornando-se mais competitivas na atração e retenção de profissionais qualificados. Instituições de ensino devem ampliar e modernizar sua oferta de cursos, alinhando-se às necessidades reais do mercado.
O poder público também tem papel fundamental nesse processo, seja mediante políticas de incentivo fiscal para empresas de tecnologia, seja investindo em programas de qualificação profissional que democratizem o acesso à formação de qualidade na área.
Para o Pará, o desafio está em transformar o momento de crescimento do setor em oportunidade real de desenvolvimento. Isso significa não apenas atrair investimentos em tecnologia, mas criar condições para que profissionais locais possam construir carreiras sólidas sem precisar deixar o estado.
A tecnologia veio para ficar e continuará transformando todas as áreas da economia. O Pará pode escolher entre ser protagonista dessa transformação, criando um ecossistema robusto de inovação tecnológica, ou permanecer como fornecedor de talentos para outras regiões. O momento de decidir é agora.

Fonte: O Liberal

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