A capital paraense mobiliza treinamento e infraestrutura para transformar o evento em laboratório de defesa cibernética e deixar marca duradoura na tecnologia nacional
Em novembro de 2025, a cidade de Belém, no Pará, sediará a COP30 — COP30 –, evento que mobiliza estratégias de segurança que vão além da proteção de delegações e protocolos diplomáticos. O destaque desta vez está em seu caráter cibernético: o Brasil vem investindo em treinamentos, infraestrutura e cooperação entre governo e iniciativa privada para elevar a proteção digital a protagonista.
O ensaio dessa nova realidade já foi visível em setembro de 2025, com o exercício denominado “Guardião Cibernético 7.0”, reunindo mais de 2 000 profissionais de aproximadamente 160 instituições. O exercício simulou ataques a variados setores — energia, transportes, comunicações e saúde — todos considerados críticos para o evento que reunirá líderes do mundo inteiro.
Os megaeventos globais convertem-se em alvos de ativismo digital, crime organizado e espionagem estatal. Exemplos históricos citados incluem ataques aos sistemas de abertura dos Jogos Olímpicos de PyeongChang 2018 e campanhas de desinformação na Paris 2024.
Contudo, os especialistas apontam que o verdadeiro legado da COP30 não residirá apenas na segurança do evento em si, mas na permanência das estruturas e do conhecimento após o encerramento da conferência. Segundo o texto, o Brasil já teve experiências em que centros de comando digital foram montados para um evento (como nas Olimpíadas de 2016) e depois desmobilizados, sem aproveitar plenamente o investimento em longo prazo.
Para evitar a repetição desse ciclo, há concordância de que é necessário investir em formação técnica e institucionalização: cursos voltados a servidores públicos e estudantes no Pará são citados como passo relevante, mas ainda resta garantir que tais pessoas encontrem oportunidades para aplicar e desenvolver o que aprenderam.
Especialistas reforçam que a cibersegurança não se limita a “sensores e firewalls”, mas exige continuidade, cultura de cooperação e integração entre setores públicos, privados e militares. O momento da COP30 é visto como oportunidade inigualável de consolidar uma cultura nacional de resiliência e cooperação ativa no ambiente digital.
Com a COP30, Belém deixa de ser apenas “porta da Amazônia” e reforça um papel de “laboratório” tecnológico estratégico. Se bem aproveitada, essa conferência pode significar um avanço para o país, tanto no plano diplomático-ambiental quanto no plano digital e de segurança cibernética. Agora cabe ao Brasil transformar o esforço em legado duradouro.
Fonte: Jornal Empresas & Negócios



