Bilionário afirma durante fórum em Washington que avanços em inteligência artificial e robótica podem eliminar necessidade de empregos tradicionais e até tornar dinheiro irrelevante
O empresário Elon Musk apresentou visão provocativa sobre o futuro do trabalho durante o Fórum de Investimentos EUA-Arábia Saudita, realizado em Washington. Segundo o CEO da Tesla e SpaceX, os avanços combinados em inteligência artificial e robótica tornarão o trabalho opcional dentro de 10 a 20 anos, transformando emprego de necessidade econômica em escolha pessoal comparável a cultivar vegetais no próprio quintal.
“Minha previsão é que o trabalho será opcional. Será como jogar videogame ou praticar esportes”, declarou Musk durante o evento. Ele comparou o futuro do trabalho a atividades de lazer: “Se quiser trabalhar, é como ir ao mercado e comprar legumes, ou cultivar legumes no seu quintal.”
A visão de Musk baseia-se na premissa de que máquinas e robôs humanoides se tornarão capazes de produzir praticamente tudo o que a sociedade necessita, eliminando gradualmente a obrigação de trabalhar para sobreviver. Essa abundância material criaria condições para que as pessoas escolhessem livremente como ocupar seu tempo.
Indo além da questão do emprego, Musk aventurou-se em território econômico ao prever que a própria moeda pode se tornar irrelevante. “Assumindo uma melhoria contínua na IA e na robótica, que parece provável, o dinheiro deixará de ser relevante”, afirmou o bilionário.
Como inspiração para essa visão, Musk citou a série literária “Culture” (A Cultura), do escritor escocês Iain M. Banks, publicada entre 1987 e 2012. As obras retratam civilizações pós-escassez onde inteligências artificiais supremas provêm recursos ilimitados, eliminando a necessidade de moeda ou trabalho no sentido tradicional.
Robô Optimus Como Pilar da Transformação
Central à visão de Musk está o projeto Optimus, robô humanoide desenvolvido pela Tesla. O empresário pretende transformar a Tesla em empresa centrada no desenvolvimento de robôs e projeta que o Optimus corresponda a até 80% do valor da companhia nas próximas décadas.
“IA e robôs humanoides realmente eliminarão a pobreza”, afirmou Musk com confiança, enfatizando que a Tesla não seria a única empresa a contribuir para essa revolução. “A única maneira de tornar todos ricos é através da IA e da robótica.”
O robô Optimus foi concebido para executar tarefas repetitivas, perigosas ou fisicamente pesadas, liberando pessoas para atividades criativas ou de lazer. A Tesla planeja produzir um milhão de unidades nos próximos anos, embora o projeto enfrente atrasos significativos, especialmente no desenvolvimento das mãos robóticas, componente mais complexo do sistema.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, compartilhou o palco com Musk durante o fórum e ofereceu perspectiva diferente. Huang, conhecido por posições mais céticas sobre trabalho reduzido, já havia afirmado anteriormente que a IA levaria a vida mais ocupada, não menos.
Embora reconheça a força transformadora da tecnologia, Huang mantém que o aumento da produtividade resultará em objetivos mais ambiciosos e não em menos trabalho. A diferença de visões entre os dois líderes tecnológicos ilustra o debate em curso sobre os verdadeiros impactos da automação avançada.
Enquanto Musk projeta futuro utópico, dados atuais mostram deslocamento laboral já em curso. Entre janeiro e setembro de 2025, empresas americanas eliminaram 17.375 vagas diretamente atribuídas à IA, segundo a firma de pesquisa Challenger, Gray & Christmas. Outras 20 mil demissões foram creditadas a “atualizações tecnológicas” que provavelmente incluem inteligência artificial.
No Brasil, a situação também preocupa. Segundo a consultoria LCA 4Intelligence, 31,3 milhões de empregos serão afetados pela inteligência artificial, dos quais 5,5 milhões correm risco de automação completa. Um estudo da LiveCareer Brasil revelou que uma em cada cinco posições de trabalho no país já está sob influência da IA.
Percepção dos Trabalhadores
Pesquisa do Cetic.br mostra que 76,6% dos trabalhadores brasileiros acreditam que a IA poderá substituí-los, embora 90% vejam ganho de eficiência com a tecnologia. A distribuição do risco é desigual: 12,9% das ocupações podem ganhar produtividade com IA generativa, 2,38% enfrentam substituição total, e 21,58% estão em zona cinzenta onde o resultado depende da adaptação.
O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, declarou em junho de 2025 que 25% dos empregos brasileiros estão ameaçados pela IA generativa, evidenciando preocupação governamental com os impactos da tecnologia no mercado de trabalho.
Apesar das previsões disruptivas, o uso corporativo de IA ainda é modesto. Apenas 13% das empresas brasileiras adotavam a tecnologia em 2024, aponta o Cetic.br embora na indústria a participação tenha saltado de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024.
Leonardo Melo Lins, coordenador do Cetic.br, pondera: “Não temos evidências para afirmar que haverá uma substituição em massa no Brasil. Dificilmente a padaria da esquina vai implementar agentes de IA”. A declaração sugere que a automação afetará setores e ocupações de forma desigual.
Críticas e Preocupações
Economistas ouvidos por veículos especializados consideram que transformar a visão de Musk em realidade será desafiador. Ioana Marinescu, economista e professora de políticas públicas na Universidade da Pensilvânia, sublinha que apesar da descida dos custos da IA, a robótica continua cara e difícil de escalar. Máquinas físicas são dispendiosas, especializadas e mais lentas a implementar nas empresas.
Samuel Solomon, professor de economia do trabalho na Universidade Temple, chama atenção para o desafio político de implementar mecanismos como renda básica universal. A IA já gera enormes volumes de riqueza, mas a forma como essa riqueza é distribuída está longe de ser inclusiva.
Críticos alertam que, em vez de cenário idílico, o futuro automatizado pode significar mais desigualdade e insegurança econômica. Internautas reagiram às declarações de Musk com ceticismo, com um deles afirmando: “Um mundo de fantasia em que todos são ricos, contado pelo homem mais rico do planeta, parece algo saído de um romance de Orwell”.
Musk reconheceu os impactos existenciais das mudanças e afirmou que, mesmo em futuro no qual máquinas realizem “quase tudo melhor do que os humanos”, continuará cabendo às pessoas definir o significado e a direção dessa nova era tecnológica.
A questão sobre como a humanidade encontrará propósito e sentido em mundo onde trabalho não é necessário permanece em aberto. Especialistas em psicologia e sociologia apontam que o trabalho fornece não apenas sustento material, mas também identidade, estrutura social e senso de propósito para grande parte da população.
As previsões de Musk alimentam debate fundamental sobre o futuro da sociedade, a natureza do trabalho, a distribuição de riqueza e o papel da tecnologia na vida humana, questões que demandarão respostas nos próximos anos conforme a automação avança.
Fonte: O Globo
Bilionário afirma durante fórum em Washington que avanços em inteligência artificial e robótica podem eliminar necessidade de empregos tradicionais e até tornar dinheiro irrelevante
O empresário Elon Musk apresentou visão provocativa sobre o futuro do trabalho durante o Fórum de Investimentos EUA-Arábia Saudita, realizado em Washington. Segundo o CEO da Tesla e SpaceX, os avanços combinados em inteligência artificial e robótica tornarão o trabalho opcional dentro de 10 a 20 anos, transformando emprego de necessidade econômica em escolha pessoal comparável a cultivar vegetais no próprio quintal.
“Minha previsão é que o trabalho será opcional. Será como jogar videogame ou praticar esportes”, declarou Musk durante o evento. Ele comparou o futuro do trabalho a atividades de lazer: “Se quiser trabalhar, é como ir ao mercado e comprar legumes, ou cultivar legumes no seu quintal.”
A visão de Musk baseia-se na premissa de que máquinas e robôs humanoides se tornarão capazes de produzir praticamente tudo o que a sociedade necessita, eliminando gradualmente a obrigação de trabalhar para sobreviver. Essa abundância material criaria condições para que as pessoas escolhessem livremente como ocupar seu tempo.
Indo além da questão do emprego, Musk aventurou-se em território econômico ao prever que a própria moeda pode se tornar irrelevante. “Assumindo uma melhoria contínua na IA e na robótica, que parece provável, o dinheiro deixará de ser relevante”, afirmou o bilionário.
Como inspiração para essa visão, Musk citou a série literária “Culture” (A Cultura), do escritor escocês Iain M. Banks, publicada entre 1987 e 2012. As obras retratam civilizações pós-escassez onde inteligências artificiais supremas provêm recursos ilimitados, eliminando a necessidade de moeda ou trabalho no sentido tradicional.
Robô Optimus Como Pilar da Transformação
Central à visão de Musk está o projeto Optimus, robô humanoide desenvolvido pela Tesla. O empresário pretende transformar a Tesla em empresa centrada no desenvolvimento de robôs e projeta que o Optimus corresponda a até 80% do valor da companhia nas próximas décadas.
“IA e robôs humanoides realmente eliminarão a pobreza”, afirmou Musk com confiança, enfatizando que a Tesla não seria a única empresa a contribuir para essa revolução. “A única maneira de tornar todos ricos é através da IA e da robótica.”
O robô Optimus foi concebido para executar tarefas repetitivas, perigosas ou fisicamente pesadas, liberando pessoas para atividades criativas ou de lazer. A Tesla planeja produzir um milhão de unidades nos próximos anos, embora o projeto enfrente atrasos significativos, especialmente no desenvolvimento das mãos robóticas, componente mais complexo do sistema.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, compartilhou o palco com Musk durante o fórum e ofereceu perspectiva diferente. Huang, conhecido por posições mais céticas sobre trabalho reduzido, já havia afirmado anteriormente que a IA levaria a vida mais ocupada, não menos.
Embora reconheça a força transformadora da tecnologia, Huang mantém que o aumento da produtividade resultará em objetivos mais ambiciosos e não em menos trabalho. A diferença de visões entre os dois líderes tecnológicos ilustra o debate em curso sobre os verdadeiros impactos da automação avançada.
Enquanto Musk projeta futuro utópico, dados atuais mostram deslocamento laboral já em curso. Entre janeiro e setembro de 2025, empresas americanas eliminaram 17.375 vagas diretamente atribuídas à IA, segundo a firma de pesquisa Challenger, Gray & Christmas. Outras 20 mil demissões foram creditadas a “atualizações tecnológicas” que provavelmente incluem inteligência artificial.
No Brasil, a situação também preocupa. Segundo a consultoria LCA 4Intelligence, 31,3 milhões de empregos serão afetados pela inteligência artificial, dos quais 5,5 milhões correm risco de automação completa. Um estudo da LiveCareer Brasil revelou que uma em cada cinco posições de trabalho no país já está sob influência da IA.
Percepção dos Trabalhadores
Pesquisa do Cetic.br mostra que 76,6% dos trabalhadores brasileiros acreditam que a IA poderá substituí-los, embora 90% vejam ganho de eficiência com a tecnologia. A distribuição do risco é desigual: 12,9% das ocupações podem ganhar produtividade com IA generativa, 2,38% enfrentam substituição total, e 21,58% estão em zona cinzenta onde o resultado depende da adaptação.
O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, declarou em junho de 2025 que 25% dos empregos brasileiros estão ameaçados pela IA generativa, evidenciando preocupação governamental com os impactos da tecnologia no mercado de trabalho.
Apesar das previsões disruptivas, o uso corporativo de IA ainda é modesto. Apenas 13% das empresas brasileiras adotavam a tecnologia em 2024, aponta o Cetic.br embora na indústria a participação tenha saltado de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024.
Leonardo Melo Lins, coordenador do Cetic.br, pondera: “Não temos evidências para afirmar que haverá uma substituição em massa no Brasil. Dificilmente a padaria da esquina vai implementar agentes de IA”. A declaração sugere que a automação afetará setores e ocupações de forma desigual.
Críticas e Preocupações
Economistas ouvidos por veículos especializados consideram que transformar a visão de Musk em realidade será desafiador. Ioana Marinescu, economista e professora de políticas públicas na Universidade da Pensilvânia, sublinha que apesar da descida dos custos da IA, a robótica continua cara e difícil de escalar. Máquinas físicas são dispendiosas, especializadas e mais lentas a implementar nas empresas.
Samuel Solomon, professor de economia do trabalho na Universidade Temple, chama atenção para o desafio político de implementar mecanismos como renda básica universal. A IA já gera enormes volumes de riqueza, mas a forma como essa riqueza é distribuída está longe de ser inclusiva.
Críticos alertam que, em vez de cenário idílico, o futuro automatizado pode significar mais desigualdade e insegurança econômica. Internautas reagiram às declarações de Musk com ceticismo, com um deles afirmando: “Um mundo de fantasia em que todos são ricos, contado pelo homem mais rico do planeta, parece algo saído de um romance de Orwell”.
Musk reconheceu os impactos existenciais das mudanças e afirmou que, mesmo em futuro no qual máquinas realizem “quase tudo melhor do que os humanos”, continuará cabendo às pessoas definir o significado e a direção dessa nova era tecnológica.
A questão sobre como a humanidade encontrará propósito e sentido em mundo onde trabalho não é necessário permanece em aberto. Especialistas em psicologia e sociologia apontam que o trabalho fornece não apenas sustento material, mas também identidade, estrutura social e senso de propósito para grande parte da população.
As previsões de Musk alimentam debate fundamental sobre o futuro da sociedade, a natureza do trabalho, a distribuição de riqueza e o papel da tecnologia na vida humana, questões que demandarão respostas nos próximos anos conforme a automação avança.
Fonte: O Globo



