A função de visualização única do WhatsApp, disponível desde 2021, prometia garantir que fotos e vídeos desaparecessem após serem abertos pelo destinatário. Na prática, porém, a privacidade oferecida pelo recurso é limitada, e pode não resistir a uma investigação policial com respaldo judicial.

De acordo com o perito criminal oficial em forense computacional da Polícia Científica do Pará, Ibsen Maciel, toda mídia enviada pelo aplicativo passa pelos servidores da Meta, empresa controladora do WhatsApp. Durante o processo de envio, é gerado um link de referência que permanece armazenado nos dispositivos do remetente e do destinatário. Esse link pode ficar disponível nos servidores da Meta por até 20 dias, prazo suficiente para que peritos autorizados realizem a recuperação dos arquivos.
Mesmo após esse período, ferramentas forenses especializadas permitem acessar dados que já foram excluídos do sistema operacional do aparelho. Segundo Maciel, o procedimento envolve a descriptografia da tabela de mensagens, o acesso aos metadados, a localização do link da mídia e a recuperação do arquivo por meio de scripts em linguagem Python. Para garantir a validade das provas, os peritos elaboram laudos com hash criptográfico e registro completo da cadeia de custódia. Entre os softwares utilizados estão o Ávilla Forensics e o SQLite.
A conclusão dos especialistas é direta: o recurso oferece proteção adequada no cotidiano, impedindo que outros usuários salvem ou encaminhem o conteúdo. No entanto, diante de uma investigação criminal com mandado judicial, as mensagens, fotos e vídeos podem ser integralmente recuperados por equipes de perícia digital.



