domingo, 1 de fevereiro de 2026
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Legado tecnológico da COP30 transforma conectividade no Pará

Expansão de infraestrutura 4G e 5G em Belém reduz desigualdade digital e impulsiona economia local com internet de alta velocidade

A realização da COP30 em Belém, em novembro de 2025, deixou como herança uma transformação significativa na infraestrutura de internet do Pará. A instalação de 40 novos pontos de antenas 4G e 5G na capital representa um dos principais legados tecnológicos da conferência climática, democratizando o acesso à internet de alta velocidade e impulsionando o desenvolvimento de negócios digitais no estado.

Os investimentos realizados pelo governo estadual, por meio da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Pará (Prodepa), vão muito além do período do evento. A modernização da infraestrutura tecnológica promete transformar a realidade de milhares de paraenses, ampliando oportunidades de educação digital, facilitando o acesso a serviços públicos e reduzindo as históricas desigualdades no acesso à tecnologia.

Modernização da rede estadual

Para atender às demandas do maior evento climático do planeta, a Prodepa executou amplo processo de modernização da Rede Estadual de Telecomunicações. A iniciativa incluiu a criação do anel da COP, estrutura que interliga novos pontos de presença operando em velocidade de 100 Gbps, garantindo capacidade de transmissão de dados em níveis de missão crítica.

A renovação envolveu a aquisição de equipamentos de alto desempenho e a expansão da infraestrutura para pontos estratégicos como o Parque da Cidade, responsável pelos data centers e sistemas de backup do evento, além do Porto Futuro e Estação das Docas. Toda essa modernização permanece ativa após a conferência, consolidando-se como legado permanente de conectividade de alta performance.

Um diferencial técnico foi o fornecimento de conexão aos dois transatlânticos que serviram de hospedagem para os participantes da COP30, ação que resultou na ampliação da rede para o distrito de Outeiro, beneficiando diretamente a população local.

Carlos Maneschy, presidente da Prodepa, destaca os múltiplos benefícios da expansão da conectividade para a população paraense. De acordo com o executivo, a melhoria permite que mais pessoas acessem informações e serviços públicos com maior qualidade. No campo econômico, a infraestrutura facilitará o crescimento de empreendimentos de base tecnológica, atrairá investimentos e incentivará a inovação, gerando empregos e aumentando a competitividade da economia local.

Os efeitos práticos já são percebidos por empreendedores locais. Edna Torres, 63 anos, engenheira de produção e gerente de restaurante na ilha de Murutucu, às margens do rio Guamá, relata que a conexão facilitou significativamente o dia a dia de trabalho. Segundo ela, a estabilidade da internet eliminou problemas com máquinas de pagamento e permitiu operação sem interrupções, contrariando as expectativas de instabilidade durante a COP30.

Cobertura móvel de alta capacidade

A implementação da nova infraestrutura resulta da parceria coordenada entre a Prodepa e as operadoras de telefonia TIM, Vivo e Claro, supervisionadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As operadoras são responsáveis diretas pelos serviços de 5G, enquanto a Prodepa atua no apoio técnico e institucional aos projetos de expansão em áreas governamentais, facilitando o recebimento de projetos e processos de licenciamento.

Um exemplo emblemático da nova capacidade instalada é o estacionamento do Estádio Olímpico do Pará (Mangueirão), que recebe shows e grandes celebrações com público superior a 100 mil pessoas. Os novos equipamentos foram projetados para garantir conectividade estável mesmo em situações de alta densidade de usuários, beneficiando tanto frequentadores quanto moradores do entorno.

Anna Karolina Moitinho, estudante de terapia ocupacional, vivenciou a diferença durante o show Global Citizen no Mangueirão. Ela conseguiu enviar mensagens sem dificuldades e compartilhar conteúdo nas redes sociais durante todo o evento, experiência que seria impensável com a infraestrutura anterior.

Atualmente, 100 dos 144 municípios paraenses (69,4%) já estão conectados à Rede Estadual de Telecomunicações de Dados. A expansão para áreas remotas e comunidades ribeirinhas é viabilizada por projetos de infovias ópticas, que interligam municípios através de cabos de fibra ótica, redes metropolitanas de última milha dentro dos municípios, e hotzones (redes Wi-Fi gratuitas) instaladas em praças, orlas e espaços públicos.

O impacto dessa descentralização alcança comunidades antes isoladas digitalmente. A médica Andreza Souza, 26 anos, percebeu a transformação ao frequentar restaurante na comunidade Igarapé do Piriquitaquara, na Ilha do Combu. Segundo ela, o local sempre foi marcado pela dificuldade de acesso à internet, situação que mudou radicalmente com os novos pontos de conexão.

A profissional destaca que, embora busque desconexão ao visitar a ilha para relaxar e aproveitar o rio, a disponibilidade de internet faz diferença crucial em situações de emergência e, principalmente, para os moradores permanentes dessas comunidades, que agora podem acessar serviços essenciais, educação a distância e oportunidades de comércio digital.

A ampliação da infraestrutura de internet representa importante passo na redução da desigualdade digital que historicamente afeta a Região Norte. O acesso à conectividade de qualidade deixa de ser privilégio de áreas centrais e passa a alcançar periferias urbanas, ilhas e comunidades ribeirinhas, democratizando oportunidades e promovendo inclusão digital.

Para pequenos empreendedores, a internet estável significa possibilidade de aceitar pagamentos eletrônicos, divulgar produtos nas redes sociais e acessar plataformas de vendas online. Para estudantes, representa acesso a conteúdos educacionais, cursos a distância e ferramentas de pesquisa. Para a população em geral, facilita o acesso a serviços públicos digitais, telemedicina e informações essenciais.

Perspectivas futuras

Com a conclusão bem-sucedida dos investimentos para a COP30, o Pará consolida-se como referência em expansão de infraestrutura digital na Região Norte. Os 31% de municípios ainda não conectados à rede estadual representam o próximo desafio, com projetos de expansão já em andamento para levar conectividade a todas as regiões do estado.

A infraestrutura implantada cria condições para o desenvolvimento de uma economia digital mais robusta no Pará, atraindo empresas de tecnologia, facilitando o trabalho remoto e possibilitando que talentos locais desenvolvam projetos inovadores sem necessidade de migrar para outras regiões do país.

O legado tecnológico da COP30 demonstra que grandes eventos internacionais podem catalisar transformações estruturais duradouras, beneficiando a população muito além do período de realização da conferência e posicionando o Pará como protagonista da inclusão digital na Amazônia.

Fonte: Agência Pará

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