InícioArtigoO que a Governança de TI ensina sobre o sucesso na Carreira

O que a Governança de TI ensina sobre o sucesso na Carreira

O mercado de trabalho da nossa região está repleto de profissionais com boas e nobres ambições. Basta olhar para a quantidade de novas iniciativas e eventos que vêm ocorrendo nos últimos anos em Belém, em especial promovidos pelos mais jovens. Além de movimentar a área de tecnologia de nossas comunidades, esses projetos mostram também como, individualmente, ansiamos por amadurecer como profissionais. De modo geral, todos buscamos uma carreira ascendente, de sucesso, que nos realize no trabalho e em nossa vida pessoal.

É também inegável o esforço necessário para alcançar esse sucesso. As inovações tecnológicas vêm tornando as vagas altamente especializadas, demandando novos conhecimentos em ciclos cada vez mais curtos. Os profissionais de TI devem, talvez mais do que em qualquer outro momento da história, se manter atualizados. E sabemos que essa é só uma parte do desafio. A concorrência vem crescendo e não é somente local; os salários em nossa região nem sempre são o que esperamos; e a IA já atua como concorrente direta para cargos de entrada. E, claro, há diversos obstáculos não técnicos, muito conhecidos por quem os vive.

Para alguns profissionais em início de carreira, esse cenário pode ser motivador, para outros, preocupante; para os profissionais mais experientes em cargos de direção e gestão, o assunto pode não estar na agenda de curto prazo (mas certamente em algum momento estará). De todo modo, o anseio por ter uma carreira de sucesso, de realização profissional e pessoal, é natural do ser humano.

A proposta deste breve texto é apresentar algumas ideias que podem ajudar na identificação do estágio de maturidade de nossas carreiras e se de fato estão alinhadas aos propósitos de vida. Acredito que em algum momento você já pensou sobre isso, leu algum livro (a melhor opção), ouviu algum podcast ou assistiu a alguma aula on-line. Pois bem, encare este artigo como um reforço. A revisão é importante para solidificar o conhecimento, aprofundar algumas ideias e principalmente colocá-las em prática.

Em primeiro lugar, uma questão fundamental. Uma carreira de sucesso é resultado de muito esforço, não importa a especialidade dentro da TI. Seja desenvolvimento de sistemas, segurança cibernética, governança e gestão de TI, análise de dados, etc. Devemos cultivar uma espécie de fortaleza interior que será fundamento para lidar com aquilo que sabota o nosso desenvolvimento profissional e pessoal. A ideia geral é saber que viveremos diversas frustrações, sejam motivadas por atitudes nossas (ou falta delas) ou por situações fora do nosso controle. E isso é bom. Nosso crescimento está diretamente relacionado com os desafios que enfrentamos e de algum modo superamos.

E, claro, esses desafios devem estar de alguma forma alinhados com a nossa direção, para onde estamos indo.

“Nenhum homem é uma ilha suficiente por si mesmo, cada um é um pedaço do continente, uma parte do todo”. Pensar em nossas carreiras no longo prazo não é uma tarefa simples, mas talvez as palavras do poeta e teólogo John Donne sejam de alguma ajuda. A realização do ser humano passa de alguma forma por um sair de si mesmo. E aí pode estar uma boa dica para direcionarmos a nossa carreira, orientá-la para o bem comum. Buscar, dentro de nossas profissões, oportunidades de ajudar quem está ao nosso redor, entender os impactos do nosso trabalho nas empresas e na sociedade como um todo. Esta intencionalidade direcionando nossas ações pode nos realizar como pessoa nas pequenas e nas grandes iniciativas.

Agora, considerando que temos um norte e sabendo que devemos lutar por ele, passamos para a questão de onde estamos, nossa maturidade atual.

Talvez uma parte dos profissionais de TI conheça a norma ISO/IEC 38500 (e as demais normas da mesma família), que trata de governança de TI e como medir sua maturidade nas empresas. Como nos diversos modelos existentes, o objetivo é ter visibilidade da maturidade atual e traçar um plano de ação para o estágio desejado. A ISO/IEC 38500 utiliza um modelo que avalia como a empresa trabalha em três grupos de características, a saber:

Tarefas e práticas de governança: atividades e práticas de governança desenhadas e implantadas;

Evidências de sucesso: sinais visíveis de que as práticas são executadas e estão funcionando corretamente;

Resultados positivos: o objetivo de negócio de fato é alcançado.

De maneira geral, a norma avalia se a empresa possui processos e práticas implantadas para monitorar a execução da estratégia corporativa. Também verifica se essas práticas estão de fato sendo executadas e funcionando conforme esperado. E por fim, se a estratégia da empresa está gerando resultados positivos.

Neste momento, acredito que a analogia entre o modelo de governança e a maturidade de nossas carreiras esteja mais clara. Em relação às práticas de governança, como anda nosso plano de capacitação? Conhecemos nossas lacunas técnicas e comportamentais? Temos uma agenda planejada para equilibrar nossos compromissos profissionais e pessoais, com nossas famílias por exemplo? Estamos cuidando de nossa saúde (física e mental)?

Parece simples, certo? No entanto, colocamos esses planos em prática?

Em muitos casos, a motivação vem depois da ação. É necessário sair da inércia, ganhar tração, ter evidências de que estamos tirando os pequenos projetos e as pequenas ações do papel. Vale sempre lembrar das nossas motivações, as não egoístas; elas nos ajudam nas lutas de cada dia.

Por fim, os resultados. Aqui convém uma ressalva que a própria norma faz: maturidade não garante resultado. O que ela garante é outra coisa, e talvez mais valiosa, a capacidade de saber se o resultado está de fato acontecendo. Uma carreira bem governada não é aquela em que tudo dá certo, mas aquela em que sabemos, com alguma honestidade, o que está dando certo e o que não está.

Para crescermos em maturidade devemos sair da superfície, ter liberdade para tomar as decisões certas. Profundidade no que fazemos e em saber para onde vamos. Saber se o caminho que estamos trilhando de fato é o nosso, se estamos trilhando da maneira certa e se os resultados beneficiam a sociedade. Ter profundidade em um mundo de estímulos demanda esforço e intencionalidade.

E com o tempo, paciência e as lutas certas, o retorno virá. Nem sempre da forma que esperávamos, algumas vezes será melhor.

Bruno Morhy
Bruno Morhyhttps://www.linkedin.com/in/bruno-morhy-6b97659/
Bruno Morhy é executivo de tecnologia com mais de 26 anos de experiência em gestão e governança de TI no setor financeiro. Ao longo de sua trajetória, liderou equipes e processos de transformação digital em ambientes de alta complexidade regulatória. Escreve sobre liderança, carreira e virtudes, com foco no desenvolvimento humano como fundamento da boa gestão.
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