Evento reúne 2.056 robôs de 666 equipes e 16 países; um humanoide superou o recorde mundial de Usain Bolt nos 100 metros durante a competição
O que aconteceu
A segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides (World Humanoid Robot Games) começou no sábado (22) em Pequim, na China, reunindo 2.056 robôs de 666 equipes vindas de 16 países. A competição acontece no Oval Nacional de Patinação de Velocidade, construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, e segue até quarta-feira (26), com 51 disciplinas e cerca de 1.301 partidas ou sessões competitivas.
O evento combina modalidades esportivas tradicionais — como atletismo, boxe, futebol, halterofilismo e ginástica — com provas situacionais que avaliam a capacidade dos robôs de executar tarefas do cotidiano, como atuar como bombeiros, operários industriais ou vendedores.
O destaque: um robô mais veloz que o homem mais rápido do mundo
O ponto alto da abertura foi a corrida de 100 metros. Durante uma sessão de testes preparatória para os Jogos, o robô Lightning, desenvolvido pela fabricante chinesa de smartphones Honor, completou a prova em 9,32 segundos, superando o recorde mundial masculino de 9,58 segundos, estabelecido por Usain Bolt no Campeonato Mundial de Atletismo de Berlim, em 2009. O humanoide atingiu velocidade máxima de 14,5 metros por segundo — o equivalente a cerca de 52 km/h.
Já durante a competição oficial, no próprio sábado, outro robô, o Tiangong, desenvolvido pelo Centro de Inovação em Robótica Humanoide de Pequim, cravou 9,39 segundos nos 100 metros, também abaixo da marca de Bolt e validando o feito dentro do evento competitivo. Em outra prova, um humanoide alcançou 2,88 metros no salto em altura parado, superando largamente referências humanas na modalidade.
Segundo os organizadores dos Jogos, o avanço é expressivo: o tempo vencedor da edição anterior, havia sido de 21,50 segundos — ou seja, os robôs praticamente dobraram sua velocidade em um ano.
Não é a primeira vez que o Lightning chama atenção. Em abril, o robô já havia vencido uma meia-maratona em Pequim, completando os 21 km em 50 minutos e 26 segundos, também abaixo do recorde mundial humano da prova. Na ocasião, o humanoide tinha 1,69 metro de altura e pernas de 95 centímetros; para a prova dos 100 metros, os pesquisadores alongaram as pernas em mais 10 centímetros.
Quem está por trás e por que isso importa
Os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides refletem a estratégia chinesa de consolidar a robótica humanoide como um setor industrial estratégico. Governo e empresas do país apostam que a combinação entre avanços em inteligência artificial e hardware de alta precisão deve acelerar a adoção desses robôs na manufatura, na logística e em serviços voltados ao consumidor.
O evento acontece na mesma semana da Conferência Mundial de Robôs de Pequim, onde empresas apresentaram cerca de 3 mil produtos, incluindo diversos modelos humanoides — reforçando o protagonismo chinês no setor, hoje responsável pela maior parte da produção mundial de robôs desse tipo.
O contexto também é geopolítico: o avanço chinês tem elevado a atenção de autoridades dos Estados Unidos. No mês passado, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) americana anunciou a proibição da importação de novos robôs humanoides fabricados no exterior, citando razões de segurança nacional e mirando especificamente produtos chineses.
Impacto para o mercado de tecnologia
Para o ecossistema de inovação, o episódio evidencia o ritmo acelerado de evolução da robótica humanoide, com ganhos de desempenho que impressionam mesmo especialistas do setor. Empresas de tecnologia, indústria e logística acompanham de perto esses avanços, já que a evolução na locomoção, no equilíbrio dinâmico e nos sistemas de acionamento de alta performance tende a acelerar a chegada de robôs humanoides a aplicações comerciais e industriais nos próximos anos.
Fonte: Sputnik Brasil, Euronews, CNN Brasil e Washington Post.



