Inteligência artificial autônoma, hiper-automação e infraestruturas especializadas lideram transformações que deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos básicos
O setor de tecnologia se prepara para um ano de consolidação e maturidade em 2026, quando diversas inovações deixarão a fase experimental para se tornarem pilares estruturais das operações corporativas. Especialistas de diferentes instituições identificam oito tendências principais que devem transformar a forma como empresas operam, tomam decisões e competem no mercado brasileiro e global.
A primeira grande mudança está na evolução dos sistemas de inteligência artificial, que passam de ferramentas reativas para agentes autônomos capazes de planejar, executar e revisar tarefas complexas de ponta a ponta. Após o avanço dos copilotos em 2024 e da automação ampliada em 2025, a disseminação desses agentes marca uma ruptura na lógica de eficiência corporativa. Esses sistemas conseguem interagir com ferramentas, tomar decisões com base em regras e aprender continuamente, reorganizando fluxos operacionais em áreas como atendimento, logística, auditoria e desenvolvimento de software.
Paralelamente, a hiper-automação redefine rotinas corporativas ao integrar robôs, inteligência artificial e aprendizado de máquina para automatizar processos inteiros. A tecnologia evolui do modelo clássico de automação robótica, antes limitado a fluxos fixos e tarefas repetitivas, para um formato inteligente que processa operações complexas com maior autonomia. Empresas brasileiras enfrentam escassez de mão de obra qualificada e pressão por escalabilidade, tornando essa tendência especialmente relevante para ganhos de produtividade.
As plataformas de desenvolvimento nativas em inteligência artificial representam outra transformação radical. Essas soluções permitem criar aplicações inteiras por meio de comandos em linguagem natural, oferecendo um caminho direto para contornar a carência de desenvolvedores e acelerar entregas digitais. Analistas do Gartner listam essa tendência como uma das principais mudanças estratégicas, apontando para um cenário em que a maior parte do código corporativo será gerado, acelerado ou revisado por IA nos próximos anos.
A infraestrutura tecnológica também passa por mudanças significativas. A demanda por data centers especializados em inteligência artificial deve acelerar em 2026, uma vez que modelos avançados exigem baixa latência, alto poder de processamento e ambientes otimizados para cargas intensivas. Arquiteturas desenvolvidas especificamente para treinar e executar modelos de IA despontam como requisito fundamental, já que estruturas tradicionais nem sempre atendem às necessidades dessas aplicações.
A interoperabilidade emerge como tendência crítica em ambientes tecnológicos cada vez mais distribuídos. Sistemas que não se comunicam geram gargalos operacionais, retrabalho, perda de dados e dificuldades para escalar. Arquiteturas abertas, interfaces de programação de aplicações, microsserviços e plataformas de integração se tornam indispensáveis para garantir fluidez de dados, agilidade e crescimento sustentável.
No campo da cibersegurança, o Brasil deve movimentar R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, segundo levantamento da Brasscom. O país registrou mais de 314 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos no primeiro semestre de 2025, concentrando cerca de 84% das ocorrências na América Latina e no Canadá. A inteligência artificial passou a ser incorporada tanto por atacantes quanto em estratégias de defesa, tornando-se essencial para acelerar respostas e fortalecer a detecção de ameaças.
A computação em nuvem deixa de ser apenas infraestrutura para se tornar base de inovação contínua. Movimentos como nuvem híbrida, multicloud estratégico, edge computing integrado e FinOps para otimização de custos consolidam a maturidade em cloud como fator decisivo para competitividade. O processamento de dados se aproxima da fonte com o aumento de dispositivos conectados, reduzindo latência e permitindo decisões em tempo real.
Por fim, a sustentabilidade digital ganha força como critério de decisão estratégica. Empresas priorizam infraestruturas mais eficientes, práticas de redução de carbono digital e tecnologias que otimizam consumo energético em data centers. A agenda ESG deixa de ser discurso para influenciar diretamente acesso a crédito, decisões de compra e reputação de marca, com organizações pressionadas a medir e reportar indicadores ambientais, sociais e de governança com mais transparência.
Fonte: Forbes Brasil



