O WhatsApp vai disponibilizar a opção de contas gerenciadas por pais e responsáveis para que possam acompanhar as conversas de menores de 13 anos. O anúncio foi feito recentemente e o recurso estará disponível nos próximos meses.
Segundo a empresa, para ativar a ferramenta, os pais precisarão do próprio telefone e do aparelho do filho para vincular as contas. Uma vez configurada, os responsáveis poderão decidir quem pode entrar em contato com a criança e de quais grupos ela poderá participar.
A privacidade das mensagens é mantida: os pais não terão acesso ao conteúdo das conversas, mas serão notificados quando a criança receber mensagens de números desconhecidos, quando houver convites para grupos ou quando novos contatos forem adicionados. Caso a criança queira enviar mensagem a alguém novo, deverá primeiro adicionar o contato, o que gerará automaticamente um alerta para o responsável.
Nessa configuração, os adolescentes também não terão a opção de enviar ou receber mensagens de visualização única. Todas as configurações de privacidade são protegidas por um PIN no dispositivo gerenciado, acessível apenas pelos pais.
A empresa afirma que o recurso foi desenvolvido ao longo de quase dois anos, com base em feedback de pais e especialistas de diferentes países, e será lançado globalmente. O WhatsApp nega que a iniciativa seja uma resposta direta ao ECA Digital, legislação brasileira que determina proteção elevada para crianças em plataformas digitais.
A novidade foi bem recebida por especialistas em segurança digital, com ressalvas. Thiago Tavares, presidente da Safernet Brasil, classificou a mudança como um avanço, lembrando que 97% da população conectada no Brasil usa o WhatsApp e que, até agora, a plataforma não oferecia nenhum tipo de controle parental. Para ele, o recurso torna o WhatsApp mais seguro para crianças do que concorrentes como Telegram, Signal e Discord, que não possuem ferramentas semelhantes.
O lançamento acompanha uma tendência global de maior responsabilização das plataformas digitais sobre o ambiente online ao qual crianças e adolescentes estão expostos, movimento impulsionado por processos judiciais, pressão regulatória e evidências científicas sobre os impactos negativos das redes sociais na saúde mental de jovens.



