domingo, 1 de fevereiro de 2026
InícioCibersegurançaAmeaças cibernéticas impulsionadas por IA avançam mais rápido que as defesas corporativas

Ameaças cibernéticas impulsionadas por IA avançam mais rápido que as defesas corporativas

Pesquisa da BCG revela que 60% das empresas podem ter sofrido ataques habilitados por inteligência artificial no último ano, mas apenas 7% utilizam IA em suas defesas

Um novo relatório do Boston Consulting Group (BCG) aponta que a inteligência artificial está remodelando fundamentalmente o cenário da cibersegurança e expondo lacunas significativas nas defesas corporativas. Apesar da crescente conscientização sobre os riscos, o ritmo de adoção de defesas cibernéticas não consegue acompanhar a velocidade e sofisticação dos ataques alimentados por IA.

O estudo, baseado em pesquisa global com 500 líderes seniores de diversos setores e regiões, descobriu que 60% das empresas acreditam ter sofrido um ciberataque potencializado por IA no último ano. No entanto, apenas 7% das organizações implantaram ferramentas de defesa habilitadas por IA até o momento, embora 88% planejem fazê-lo.

De acordo com Shoaib Yousuf, diretor-gerente e sócio da BCG e coautor do relatório, a IA está possibilitando uma nova era de ameaças cibernéticas mais rápidas, enganosas e escaláveis. Contudo, a maioria das empresas ainda opera com ferramentas desatualizadas e estratégias subfinanciadas, deixando-as altamente expostas.

Ataques se sofisticam em ritmo acelerado

O relatório detalha como a IA está aprimorando as capacidades dos atacantes em diversas táticas, incluindo ransomware, phishing, clonagem de voz e fraudes com vídeos deepfake. Entre os casos documentados estão um incidente de fraude de US$ 25 milhões em uma empresa multinacional de engenharia, provocado por uma videochamada deepfake que imitava o diretor financeiro, e um ataque de ransomware a um provedor de saúde que criptografou sistemas hospitalares e atrasou cirurgias.

A pesquisa indica que 53% dos executivos agora classificam as ameaças cibernéticas baseadas em IA entre os três principais riscos organizacionais. No entanto, a resposta das empresas tem sido lenta: apenas 5% aumentaram significativamente seus orçamentos de cibersegurança devido à IA, e 69% relatam dificuldades em contratar talentos especializados em IA e cibersegurança.

Principais ameaças para os próximos anos

Os executivos preveem que a natureza dos ataques cibernéticos potencializados por IA continuará evoluindo rapidamente. As ameaças consideradas mais críticas para os próximos dois anos incluem fraudes financeiras habilitadas por IA (43%), engenharia social potencializada por IA (39%), uso de IA por atacantes para acelerar a descoberta de vulnerabilidades (28%) e malware alimentado por IA que aprende e se adapta para contornar defesas (26%).

O relatório identifica alta exposição ao risco em todos os setores, com saúde e governo entre os mais vulneráveis.

Necessidade urgente de alinhamento estratégico

Vanessa Lyon, diretora global do Centro de Liderança em Estratégia Cibernética da BCG e coautora do relatório, enfatiza que a era da defesa cibernética passiva acabou. Segundo ela, os atacantes estão operando em velocidade de máquina, e a única estratégia vencedora é enfrentar a autonomia com autonomia, por meio de inteligência, liderança e comprometimento.

Entre as recomendações do estudo estão o estabelecimento de um mandato de cibersegurança e IA aprovado pelo conselho administrativo, com financiamento adequado, a implantação de IA em defesas onde ela modifica mais rapidamente a curva de risco, a proteção dos sistemas de IA que a organização está construindo e a construção de agilidade cibernética com arquitetura multi-fornecedor.

Fonte: Boston Consulting Group

ARTIGOS RELACIONADOS
- Publicidade -
Google search engine

Mais populares

Comentários recentes