Documentário revisita caso que expôs a exploração de informações pessoais no Facebook e reacendeu o debate sobre privacidade digital.
O uso indevido de dados pessoais nas redes sociais voltou ao centro do debate tecnológico com a repercussão de um documentário que reconstrói o escândalo da Cambridge Analytica, consultoria britânica acusada de coletar e explorar informações de milhões de usuários do Facebook sem consentimento.
A produção narra a história de um professor americano que, ao descobrir que seus dados, junto aos de cerca de 240 milhões de pessoas, haviam sido utilizados para construir perfis psicológicos e políticos, decide buscar reparação na Justiça. O caso expõe uma lacuna significativa da legislação digital dos Estados Unidos: diferentemente do Reino Unido, onde leis de proteção de dados permitem que cidadãos movam ações contra empresas que exploram suas informações, a legislação americana da época não oferecia o mesmo amparo legal a seus cidadãos.
O escândalo, revelado em 2018, mostrou como dados extraídos do Facebook, obtidos originalmente por meio de um aplicativo de testes de personalidade, foram utilizados pela Cambridge Analytica para criar campanhas de microtargeting político, com o objetivo de influenciar o comportamento de eleitores durante a eleição presidencial americana de 2016.
O caso se tornou um marco na discussão sobre governança de dados, expondo falhas estruturais na forma como plataformas digitais coletam, armazenam e compartilham informações de usuários com terceiros. A repercussão global do episódio impulsionou debates regulatórios em diversos países e é frequentemente citada como um dos fatores que aceleraram a adoção de leis de proteção de dados mais rígidas, como o GDPR europeu.
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