Em Belém, debates sobre tecnologia, conectividade e democracia informacional entram na agenda da conferência para frear narrativas falsas sobre a crise climática.
A 30ª edição da conferência do clima da United Nations Framework Convention on Climate Change (COP30) dedicará pela primeira vez uma atenção sistemática ao tema da integridade da informação, incluindo os riscos da inteligência artificial (IA) e da desinformação no contexto da crise ambiental. O evento, que reúne mais de 190 países entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025 na capital paraense, estruturou a sua pauta em quatro eixos — Cúpula de Líderes, Agenda de Negociação, Agenda de Ação e Agenda de Mobilização — e os debates sobre o ambiente informacional e o digital foram alocados tanto em painéis oficiais como em atividades paralelas.
Na prática, a COP30 vai promover discussões específicas sobre: integridade da informação sobre o clima e combate ao negacionismo; regulação de plataformas digitais; regulação e governança da IA aplicada à agenda ambiental; educação midiática; conectividade significativa para populações vulneráveis; e proteção de jornalistas ambientais.
O Brasil, que assume a presidência da conferência, sinaliza já uma trajetória nesse campo — por meio da Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, lançada em conjunto com a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) e a ONU, que visa integrar a desinformação climática como obstáculo à ação urgente.
Entre os dias 12 e 13 de novembro, estão programados painéis temáticos exclusivos sobre a integridade da informação, unindo governos, especialistas, veículos jornalísticos e sociedade civil — numa ação articulada para tornar a esfera digital parte integrante da governança climática. Além disso, a conferência divulga que 123 iniciativas vindas de 27 países já foram aprovadas na área de integridade da informação e estão listadas no “Celeiro de Soluções” da Agenda de Ação da COP30 — plataforma criada para troca de boas práticas e cooperação internacional.
Para analistas, o movimento marca um reconhecimento de que o ambiente informacional e a tecnologia são vetores significativos na crise climática: informações falsas ou manipuladas podem atrasar decisões, enfraquecer confiança pública e comprometer metas internacionais.
Em um contexto em que discursos negacionistas e deepfakes ligados à IA ganham força, tornar o tema visível na COP passa a ser estratégico. Com isso, a COP30 vai além de discutir apenas emissões e adaptação: ela se propõe também a enfrentar o desafio da governança digital, com impacto direto sobre como as sociedades percebem, debatem e agem diante da emergência climática.
Fonte: desinformante



