quarta-feira, 20 de maio de 2026
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Robôs humanoides se tornam nova aposta estratégica da China no mercado global

A China respondeu por 90% dos cerca de 13 mil robôs humanoides expedidos globalmente no ano passado, à frente de concorrentes norte-americanos como a Tesla e seu modelo Optimus, segundo a empresa de pesquisa Omdia. O número revela que não se trata mais de protótipos de laboratório: a produção em escala já é realidade, e a liderança de mercado está estabelecida.

Por trás desse desempenho há uma combinação de fatores que a China domina com precisão. Mais de 150 empresas atuam no segmento de robôs humanoides no país, e especialistas apontam que a principal vantagem chinesa está na profundidade da cadeia de suprimentos e na experiência recente em escalar rapidamente tecnologias complexas, como veículos elétricos. A mesma engrenagem industrial que transformou a China na maior exportadora de painéis solares e baterias para carros elétricos está sendo reorientada para a robótica.

A infraestrutura tecnológica herdada da indústria de smartphones também desempenha papel central nessa transição. Smartphones modernos já utilizam tecnologias muito próximas das necessárias para robôs avançados, incluindo sensores compactos, câmeras de alta precisão, sistemas de refrigeração, motores táteis, baterias de alta densidade energética e chips capazes de processar grandes quantidades de dados em tempo real. Parte desse ecossistema está sendo redirecionada para máquinas capazes de operar no mundo físico.

O Estado chinês trata o setor como prioridade estratégica. A robótica e a inteligência artificial foram colocadas no centro da estratégia de indústria transformadora de nova geração, com o presidente Xi Jinping se reunindo com cinco fundadores de startups de robótica no último ano, número comparável aos encontros com líderes do setor de veículos elétricos e de semicondutores no mesmo período. Empresas que conquistam visibilidade nos principais eventos estatais recebem, em troca, encomendas governamentais e acesso facilitado a investidores.

As metas de produção são ambiciosas e estão sendo cumpridas. A UBTech Robotics planeja elevar a produção de humanoides para 5 mil unidades em 2026 e 10 mil em 2027, enquanto a AgiBot já anunciou a saída do seu robô humanoide de número 5 mil da linha de montagem. No total, empresas chinesas combinadas têm capacidade estimada para produzir entre 50 e 100 mil robôs por ano em 2026.

A fase de exportação já saiu do papel. A Japan Airlines vai testar robôs humanoides da fabricante chinesa Unitree no aeroporto de Haneda, em Tóquio, para auxiliar no manuseio de bagagens e cargas,um experimento que começa em maio de 2026 e deve se estender até 2028. Trata-se de um ambiente real, com pressão operacional contínua e interação direta com passageiros, bem distante das demonstrações controladas em feiras de tecnologia.

Segundo analistas da Counterpoint, o mercado global de humanoides pode crescer de 16 mil unidades em 2025 para mais de 100 mil em 2027. A projeção indica que a janela de liderança que a China busca consolidar é estreita, e o país está agindo com velocidade para aproveitá-la antes que concorrentes dos Estados Unidos e da Europa consigam escalar suas próprias soluções.

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